Mais uma pauta! Herchcovitch

Outro texto que escrevi para a aula de Jornalismo de Moda do IED. Esse sobre Alexandre Herchcovitch e seu desfile para o inverno de 2010!

A CAVEIRA DE ALEXANDRE

Depois de 16 anos ele continua ativo e polêmico. Muito observador e fã de Zé do Caixão (figura um tanto quanto macabra), procura criar  inspirando-se em fatores relacionados consigo mesmo, e gosta de questionar tabus. Começou criando para travestis e drag queens, e um de seus primeiros sucessos se mantém até hoje: a camiseta branca com a estampa de caveira.

Estilista e homem de negócios. Assim pode ser definido Alexandre Herchcovitch, que logo na infância descobriu como um pedaço de tecido pode virar roupa, por causa de sua mãe, grande inspiração em sua carreira. Começou cedo chamando a atenção. Formou-se em 1993, e em 1994 abriu sua primeira loja.

A tal caveira é mais do que apenas o “primeiro memorável sucesso”. Tornou-se um grande ícone, um signo que leva qualquer conhecedor de moda a pensar em Alexandre Herchcovitch. E isso ficou mais claro em seu desfile masculino de Outono/Inverno de 2010: desfilaram 32 modelos maquiados por Celso Kamura, caveiras humanas que fizeram o público cair no silêncio.

Inspirado no filme “Sétimo Selo” de Ingmar Bergman, representou muito bem os elementos da partida de xadrez entre o cavaleiro medieval e a morte (o grande tema), presente no filme. Usou muito a estampa xadrez vichy (nos tons de cinza e preto e vermelho e preto) e a estampa do tabuleiro de xadrez propriamente dita. Criou casacos assimétricos, roupas meio capa meio blazer e sobretudos.

Chamou a atenção pelas calças mais curtas com pregas nos bolsos de trás, e fez do tênis peça fundamental ao lado de sandálias de couro ao estilo “Aranha” da Melissa (marca com quem faz parceria). Acessórios foram essenciais e harmônicos: cintos, chapéus, colares e uma espécie de sino levado na mão esquerda pela maior parte dos modelos. No meio de cores tão sóbrias e modelos clássicos (mesmo se um tanto quanto dark), Alexandre brincou levando à passarela uma saia kilt acima do joelho. Outra boa sacada foi a tela preta colocada sobre algumas peças, para dar um ar leve.

Casacos, zíperes, capuzes, botões e xadrezes. Branco, preto, vermelho, azul e cinza. Herchcovitch, caveiras e Ingmar Bergman. O desfile repleto de deliciosas informações foi definido pelo estilista como “muita alfaiataria, preto e branco”, e impressionou: mostrou que a caveira de Herchcovitch será eterna.

Con amore,

Valentina Rampini

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Amanda
    out 20, 2010 @ 15:01:34

    Ai, que demais, vc estudou no IED?? Como foi lá, amou??
    Adorei o seu texto, ótima escolha tratar do Herchcovitch, esse desfile foi incrível!
    Beijos!

    Resposta

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